21.1.09

QUANDO O NOSSO MUNDO SE TORNOU CRISTÃO



Colecção: Pilares, n.º 1
Formato: 16 x 24 cm
N.º de páginas: 192
ISBN: 978-989-95884-2-4
PVP: 19,00€ (IVA inc.)




Este é o livro de um descrente que procura compreender como o Cristianismo, obra-prima da criação religiosa, se impôs a todo o Ocidente.
À sua maneira inimitável, erudita e, por vezes, impertinente, Paul Veyne inventaria, para isso, três razões:
- Um imperador romano, Constantino, converte-se sinceramente ao Cristianismo;
- Constantino converteu-se porque precisava de uma grande religião;
- Constantino foi o grande impulsionador da criação da Igreja Cristã, através da rede de bispados espalhada pelo imenso Império Romano.
De passagem, Paul Veyne evoca outras questões: de onde vem o monoteísmo? Tem fundamento falar de ideologia? A religião tem raízes psicológicas? E temos nós origens cristãs?
Quando o nosso mundo se tornou cristãodestina-se a todos os leitores sem excepção, em especial aos interessados pelos grandes momentos da História. O público já familiarizado com o trabalho de Paul Veyne, verá as suas expectativas superadas.

Historiador admirável, académico de renome com várias obras publicadas, Paul Veyne lecciona desde 1975 no Collège de France como titular da cadeira de História de Roma, actualmente na qualidade de professor honorário.


Aqui fica aqui um excerto:

« Converter os pagãos? Vasto programa. Constantino reconhece que a sua resistência (epanastasis) é tal que renuncia a impor‑lhes a Verdade e continuará tolerante, apesar dos seus anseios; depois das suas duas grandes vitórias, em 312 e em 324, tem o cuidado de tranquilizar os pagãos das províncias que acabara de adquirir: “Que aqueles que se enganam gozem da paz, que cada um conserve o que a sua alma quer ter, que ninguém atormente ninguém.” Manterá as promessas, o culto pagão só será abolido meio século depois da sua morte e apenas Justiniano, dois séculos mais tarde, começará a querer converter os últimos pagãos, tal como os Judeus.
Tal foi o “pragmatismo de Constantino”, que teve uma grande vantagem. Não obrigando os pagãos à conversão, Constantino evitou vira‑los contra si e contra o cristianismo (cujo futuro estava bem menos assegurado do que se crê e que quase soçobrou em 364, como se verá). Frente à elite partidista que era a seita cristã, as massas pagãs puderam viver na incúria, indiferentes ao capricho do seu imperador; só uma pequena elite de letrados pagãos sofria.
Constantino, dizíamos nós, deixou em paz os pagãos e os seus cultos, mesmo depois de 324, quando a reunificação do Oriente e do Ocidente, sob o seu ceptro, o tornou todo‑poderoso. Neste ano, dirige proclamações aos seus novos súbditos orientais e, em seguida, a todos os habitantes do seu império. Escritas num estilo mais pessoal do que oficial, saem da pena de um cristão convencido que exprime em palavras a ignomínia do paganismo, que proclama que o cristianismo é a única boa religião, que argumenta neste sentido (as vitórias do príncipe são uma prova do verdadeiro Deus), mas que não toma nenhuma medida contra o paganismo: Constantino não será, por seu turno, um perseguidor, o Império viverá em paz. Melhor ainda, proíbe formalmente a quem quer que seja de se dar mal com o seu próximo por motivos religiosos: a tranquilidade pública deve reinar – o que visava, sem dúvida, cristãos demasiado zelosos, prontos a arremeter contra as cerimónias pagãs e os templos.
O papel do imperador romano era de uma ambiguidade de enlouquecer (três séculos antes de Constantino, arrastou para a paranóia o primeiro sucessor, Tibério, do fundador do regime imperial). Um César devia ter quatro linguagens: a de um chefe cujo poder civil é de tipo militar e que dá ordens; a de um ser superior (mas sem ser um deus vivo) em relação ao qual aumenta o culto da personalidade; a de um membro de um grande conselho do Império, o Senado, onde ele é apenas o primeiro entre os seus pares, que nem por isso deixam de recear pela sua cabeça; a do primeiro magistrado do Império, que comunica com os seus concidadãos e diante deles se explica. Nas suas ordenanças ou proclamações de 324, Constantino escolheu esta linguagem misturando‑a a uma quinta, a de um príncipe cristão convicto, propagandista da sua fé e que vê no paganismo uma “superstição desvantajosa”, enquanto o cristianismo é a “santíssima Lei” divina. » (págs. 16-17)

A ESTÉTICA, história e teorias


Colecção: Biblioteca Universal
Formato: 14 x 21 cm
N.º de páginas: 112
ISBN: 978-989-95884-3-1
PVP: 12,00€ (IVA inc.)




Como podemos avaliar um quadro, e com que instrumentos de análise crítica? E que dizer da emoção que experimentamos diante de uma obra de arte?
Se o belo e a arte são temas filosóficos de sempre, a estética, como disciplina independente, só aparece no século XVIII, quando as noções de arte, de sensível e de belo se fundiram entre si.
De Platão a Michel Henry, passando por Kant e Adorno, esta disciplina parece de difícil definição; será crítica do gosto, teoria do belo, ciência do sentir, filosofia da arte?
A Estética, história e teorias, uma obra indispensável para todos os que querem conhecer o essencial sobre estética, oferece uma síntese panorâmica da história e das teorias deste ramo do saber filosófico.


Carole Talo-Hugon é professora de filosofia na Universidade de Nice – Sophia Antipolis, e directora do Centre de Recherches en Histoire dés Idées.
Os seus campos de pesquisa são a estética, por um lado, e a questão da afectividade, por outro, nomeadamente as teorias das paixões da época clássica.
Além dos numerosos artigos nestes dois domínios, publicou recentemente Descartes ou les passions rêvées par la raison (Vrin, 2002), bem como Les Passions (Armand Colin, 2004) e, sobre estética, além do presente volume, Avignon 2005 : le conflit des héritages (Actes Sud, 2006). Estas duas direcções de pesquisa cruzam-se nos seus trabalhos actuais; assim, publicou sobre este tema Goût et dégoût. L’art peut-il tout montrer ? (J. Chambon, 2003) e acaba de terminar Morale de l'art, a publicar pelas Presses Universitaires de France.

Fica aqui um excerto:

« Enquanto o século XVIII tratava tanto do belo natural como do belo artístico (Burke, Du Bos ou Kant consideram até que o juízo de gosto é mais puro quando o seu sujeito é natural porque não se misturam nisso considerações sobre a intencionalidade artística), é a arte que, na época seguinte, monopoliza a atenção da reflexão estética. Hegel escreve, sintomaticamente: «O objecto da estética é o vasto reino do belo e o seu domínio, a arte.» Observando imediatamente que, como a palavra «estética» não convém, dada a sua etimologia e a recente definição de «ciência do sentir» que dela foi dada por Baumgarten, prefere a expressão «filosofia da arte». Esta posição hegeliana é paradigmática de uma época em que a estética se transforma em filosofia da arte.
Esta expressão «filosofia da arte» é rica pela sua própria ambiguidade. De facto, consoante o significado que se der ao «da»: «sobre a, acerca da» ou «que pertence à», assim se obtêm duas interpretações da expressão «filosofia da arte» entre as quais hesita todo este período que se estende desde finais do século XVIII a meados do século XX.
No primeiro sentido dado a «da», a filosofia da arte é filosofia a propósito, acerca, sobre a arte, tomando a arte como objecto da sua reflexão. Foi o que fizeram Aristóteles ou Marsílio Ficino (com a reserva de que a arte da altura não tinha o sentido moderno que hoje lhe damos), e também o que faz Hume no seu ensaio Sobre a tragédia ou Kant nos §§ 43 a 54 da Crítica da Faculdade do Juízo. É o que farão igualmente Hegel e Schopenhauer, mas de maneira absolutamente inédita que convirá analisar com rigor. Aqui, a arte é objecto de estudo para a filosofia.
Mas a expressão «filosofia da arte» também pode significar que um pensamento brote da arte, que possui a sua própria filosofia. Não se trata da teorização de uma prática (como acontece no Tratado da Pintura de Leonardo da Vinci) nem de um discurso explicando e justificando uma obra ou um movimento (textos de Zola sobre o romance experimental, manifestos do surrealismo ou do futurismo) nem de um discurso de artista com reflexões gerais sobre a arte (textos de Duchamp reunidos sob o título Duchamp du signe). Trata-se de um discurso filosófico que estaria contido na própria arte.
Aqui, neste período da estética concebida como filosofia da arte, distinguir-se-ão três configurações das relações da arte e da filosofia: as duas primeiras correspondem aos dois sentidos da expressão «filosofia da arte» que acabámos de distinguir; a terceira caracteriza-se pela afirmação de uma identidade fundamental da arte e da filosofia. » (págs. 51-52)

18.12.08

Boas Festas

A Texto & Grafia deseja a todos os leitores um Feliz Natal e um óptimo Ano Novo, com cada vez mais leituras.

Notícias de além-mar

Não só , mas também no Brasil se faz sentir o impacto do livro Allegro Ma Non Troppo.
Os leitores interessados em saber mais podem consultar este link.

3.11.08

Doença Mental e Psicologia



Colecção: Biblioteca Universal
Formato: 14 x 21 cm
N.º de páginas: 104
ISBN: 978-989-95689-9-0
PVP: 10,00€ (IVA inc.)




Doença Mental e Psicologia consiste num olhar sensível e inteligente sobre os vários eixos problemáticos da doença mental.

Publicado em 1954, este ensaio de Michel Foucault tem sido lido desde então por sucessivas gerações em todo o mundo.
Revolucionário, este texto fundador, prenúncio da genialidade que caracteriza a obra do Autor, observa, com espantosa argúcia, que «a psicologia só foi possível quando se aprendeu a dominar a loucura».
Aqui a demência é considerada a uma nova luz. A dimensão psicológica merece especial atenção e, num segundo momento, a reflexão incide sobre o contexto cultural.
Uma obra essencial para compreender um dos temas fulcrais do pensamento contemporâneo.

Michel Foucault (1926-1984), professor no Collège de France, é autor de uma obra magistral de onde se destacam A História da Loucura, O Nascimento da Clínica, As Palavras e as Coisas, entre outros textos, que mudaram para sempre o nosso modo de ver a Filosofia, a Psicologia, a Psiquiatria, a Psicanálise, tal como a própria História e a sociedade em geral.
O início dos anos cinquenta são para o autor tempos de trabalho filosófico mas também de descoberta da literatura, da psicologia e da psiquiatria; forma-se em psicopatologia e em psicologia experimental em 1952 e 1953, frequentando os seminários de Lacan. Estes conhecimentos abrangentes permitem-lhe observar articuladamente as matérias sobre as quais se debruça. A marca que deixou na história do pensamento Ocidental, apesar do seu desaparecimento prematuro, faz dele um dos nomes incontornáveis da contemporaneidade.

Ficam aqui dois excertos:

«A história individual, com os seus traumas, mecanismos de defesa e, sobretudo, a angústia que a atormenta, constituiu aparentemente outra das dimensões psicológicas da doença. A psicanálise colocou na origem de tais conflitos um debate «metapsicológico», nas fronteiras da mitologia («os instintos são os nossos mitos», dizia o próprio Freud), entre o instinto de vida e o instinto de morte, entre o prazer e a repetição, entre Eros e Tanatos. Mas é fazer passar por forma de solução o que se enfrenta no problema. Se a doença encontra um modo privilegiado de expressão nesse entrelaçamento de comportamentos contraditórios, não é porque os elementos da contradição se justaponham, como segmentos conflituais, no inconsciente humano, mas apenas porque o ser humano faz do ser humano uma experiência contraditória. As relações sociais que uma cultura determina, sob as formas da concorrência, da exploração, da rivalidade de grupos ou das lutas de classe, oferecem ao indivíduo uma experiência do seu meio humano constantemente assaltado pela contradição.» p. 95


«As dimensões psicológicas da loucura não podem, pois, ser reprimidas a partir de um princípio de explicação ou redução que lhes seria exterior. Mas devem situar-se no seio desta relação geral que o ser humano ocidental estabeleceu, vai já para dois séculos, de si para consigo mesmo. Sob um ângulo mais agudo, esta relação é a tal psicologia em que ele instilou um pouco do seu assombro, muito do seu orgulho e o essencial dos seus poderes de esquecimento; sob um prisma mais amplo, é a emergência, nas formas do saber, de um homo psychologicus, encarregado de deter a verdade interior, descarnada, irónica e positiva de toda a autoconsciência e de todo o conhecimento possível; por fim, reposta na abertura mais ampla, tal relação é aquela que o ser humano substituiu pela sua relação com a verdade, alienando-o no postulado fundamental de que ele próprio é a verdade da verdade.» p. 99


Dicionário Enciclopédico da Psicologia




Colecção: Índice
Formato: 15,5 x 23,5 cm
Capa: Cartonada
N.º de páginas: 640
ISBN: 978-989-95884-0-0
PVP: 42,00€ (IVA inc.)



O Dicionário Enciclopédico da Psicologia é uma obra de referência que aborda todos os temas da vida psicológica. Está organizado em três partes:

As bases indispensáveis:
Uma apresentação clara e concisa da psicologia, da psicanálise e da psiquiatria, da história destas disciplinas, dos seus grandes teóricos, das noções principais e das psicopatologias.
As grandes questões da vida psicológica, pessoal e familiar:
A adolescência, o amor, a infância, a depressão, a educação, o comportamento do recém-nascido, como também o sono, o envelhecimento, a sexualidade, entre tantos outros tema, num total de 60 dossiers classificados alfabeticamente, que apresentam também todas as terapias (cura analítica, terapia familiar, hipnose médica, …), e as patologias graves (anorexia, autismo, psicose, …).
As noções essenciais:
De «abandono» a «zoopsia», passando por «complexo», «dislexia» ou «fetichismo», são 1500 definições para compreender o sentido de palavras que são cada vez mais utilizadas na linguagem corrente.

Redigido por uma vasta equipa de autores especialistas, médicos, professores, psiquiatras, psicanalistas e psicólogos, que nos oferecem a síntese dos mais recentes trabalhos científicos nestes domínios, o Dicionário Enciclopédico da Psicologia conta ainda com um importante apêndice bibliográfico.

Indiscutivelmente uma grande obra de referência, com o carimbo de qualidade Larousse, destina-se ao vasto público e às famílias, aos muitos segmentos dos profissionais da saúde, bem como aos professores e estudantes destas matérias.

Allegro Ma Non Troppo



Colecção: Biblioteca Universal
Formato: 14 x 21 cm
N.º de páginas: 96
ISBN: 978-989-95689-7-6
PVP: 10,00€ (IVA inc.)





Allegro Ma Non Troppo, seguido de As Leis Fundamentais da Estupidez Humana é um pequeno livro que consiste em dois textos hilariantes – uma exposição satírica de algumas peripécias da história e uma teoria das relações humanas –, que circularam clandestinamente em fotocópias até a sua notoriedade ser tão grande que o autor decidiu publicá-los em livro.

Por que razão um estúpido é mais perigoso que um bandido? Qual é a relação histórica entre o consumo da pimenta, o desenvolvimento da metalurgia e a difusão do nome Smith? Estas e outras intrigantes perguntas encontram resposta nos dois divertidos ensaios que compõem este livro, uma pirueta anárquica de fino humor; o primeiro ensaio é uma paródia hilariante da história económica e social da idade Média, com o Império Romano à mistura; o segundo, uma deliciosa brincadeira, em jeito de teoria geral da estupidez humana.

Duas pequenas obras-primas de jocosa extravagância intelectual, que nos propõem uma pausa de irreprimível comicidade e humorismo.

Carlo Maria Cipolla (1922 – 2000) foi um dos maiores historiadores económicos contemporâneos, cuja fama o levou a leccionar nas melhores universidades do mundo. Debruçou-se especialmente sobre a Idade Média e as suas obras representam um contributo insubstituível no conhecimento histórico desse período, tendo recebido inúmeros prémios.
Cipolla foi membro da Royal Historical Society da Grã-Bretanha, da British Academy, da Accademia dei Lincei, da American Academy ofArts and Sciences e da American Philosophical Society of Philadelphia; em Itália, seu país natal, foi distinguido com o Prémio da Presidência da República, e o seu funeral teve foros de acontecimento nacional, tal a notoriedade de que gozava no país.


Aqui ficam dois excertos:


Allegro Ma Non Troppo

« E, como se isso não bastasse, povos estrangeiros aguerridos e ameaçadores pressionavam do exterior, acrescentando violência à violência e roubalheira à roubalheira. Os Muçulmanos pressionavam no Sul, os Húngaros no Leste, os Escandinavos no Norte. Estes últimos eram talvez os piores. Ignora-se como e por que razão se lançaram tão desenfreadamente nas suas sanguinárias incursões, e por que motivos continuaram a infestar a Europa durante tanto tempo. Possuíam certamente uma tecnologia naval superior*, e a razão habitualmente invocada é a rapina. Mas havia mais: uma publicação norueguesa recente afirma que teve grande importância “o papel das mulheres na belicosa sociedade escandinava. Orgulhosas e formidáveis, as mulheres vikings, quando era necessário, sabiam também ser desleais, e não se deixavam dominar em circunstância alguma”.
Assim, não surpreende que os maridos de mulheres tão formidáveis optassem por longas ausências no estrangeiro, tanto mais que os homens vikings encontravam no Sul agradáveis ocasiões para esquecer os difíceis problemas domésticos. De acordo com os Annales de Saint-Bertin, em 865 d.C. um nutrido grupo de Nortmanni “ex se circiter ducentes Parisyus mittunt ubi quod quæsiverunt vinum” (“enviou a Paris um destacamento de cerca de duzentos homens à procura de vinho”).
A contínua sequência de violências e as penosas e deprimentes condições de vida daqueles tempos fizeram com que as taxas de mortalidade atingissem níveis muito elevados. É óbvio que a uma mortalidade elevada tem de corresponder uma fertilidade igualmente elevada, se se quiser que a sociedade sobreviva. Depois da queda do Império, os Europeus perderam, felizmente, o mau hábito de se esterilizarem com chumbo. Isso foi óptimo. Mas, entretanto, o comércio com o Oriente enfraquecia continuamente e, por conseguinte, a pimenta oriental tornou-se um bem cada vez mais raro e caro. O grande historiador belga Henri Pirenne e a sua escola realizaram cuidadosas investigações para demonstrar que a investida muçulmana nos séculos VII e VIII da era cristã deu o golpe final nas já vacilantes relações comerciais entre o Ocidente e o Oriente; e, assim, a pimenta tornou-se um bem escasso no Ocidente.

A pimenta é, como se sabe, um poderoso afrodisíaco. Privados dela, só a muito custo os Europeus conseguiram contrabalançar as perdas de vidas humanas causadas pelos barões locais, os guerreiros escandinavos, os invasores húngaros, os piratas árabes. A população diminuiu, as cidades despovoaram-se, enquanto as florestas e os pântanos se expandiam cada vez mais. Abandonada toda a esperança numa vida melhor neste Mundo, as pessoas puseram toda a sua fé na vida do Além, e a ideia de recompensa no Céu ajudou-as a suportar a falta de pimenta na Terra.
Só os tolos encaravam o futuro com optimismo. Os prudentes viam-no com puro horror e, para fugirem a um mundo brutal e sanguinário, muitos deles refugiaram-se na paz dos conventos. Só faltava agora que aparecessem os terríveis Cavaleiros do Apocalipse tal como fora anunciado pelos Profetas, e todos estavam resignados, convencidos de que isso iria acontecer à meia-noite do dia 31 de Dezembro de 999. Pelas 23 e 30 daquele dia temido, todas as mães apertaram os filhos contra o peito, e os amantes abraçaram-se num último e patético amplexo de amor. A fatídica e temida meia-noite chegou com pontualidade, mas, para espanto de todos, os Cavaleiros do Apocalipse não compareceram. Este encontro falhado ditou o turning point da História europeia. » pp. 18 - 21


* Embora primitivo, o povo viking era bastante evoluído nalguns aspectos. Um antropólogo americano conseguiu calcular o rotated factor index do desenvolvimento sociocultural de alguns povos primitivos. O rotated factor index dos Vikings é 1,60, sendo de 1,73 para os Astecas, 0,99 para os Hotentotes, 0,89 para os Mafulu, 0,44 para os Bosquímanos e 0,28 para os Esquimós. O que é o rotated factor index, só o antropólogo americano que o inventou poderá dizer.



As Leis Fundamentais da Estupidez Humana

« Os assuntos humanos — como é unanimemente consensual — encontram-se num estado deplorável; o que não constitui, de resto, novidade. Por muito que consigamos recuar no tempo, chegaremos à conclusão de que sempre estiveram em estado deplorável. O fardo pesado de privações e misérias que os seres humanos têm de suportar, quer como indivíduos, quer como membros da sociedade organizada, é, no essencial, resultado do modo extremamente inverosímil – e, ousarei dizer, estúpido – como a vida foi organizada desde o princípio.

Sabemos, desde Darwin, que partilhamos a nossa origem com as outras espécies do reino animal, e que todas as espécies, da minhoca ao elefante, têm de suportar a sua dose quotidiana de atribulações, temores, frustrações, penas e adversidades. Contudo, os seres humanos têm o privilégio de estarem sujeitos a uma carga acrescida, uma dose extra de atribulações causadas por um grupo de pessoas que pertencem ao mesmo género humano. Este grupo é muito mais poderoso do que a Máfia ou o complexo industrial militar ou a Internacional Comunista. E é um grupo que não está organizado, não faz parte de qualquer associação, não tem chefe, nem presidente, nem estatutos, mas que consegue, todavia, agir em sintonia perfeita, como se fosse guiado por uma mão invisível, de tal modo que as actividades de cada um dos membros contribuem poderosamente para reforçar e amplificar a eficácia da actividade de todos os outros. A natureza, o carácter e o comportamento dos membros deste grupo são o tema das páginas que se seguem.

Importa sublinhar nesta altura que este ensaio não é nem fruto do cinismo, nem um exercício de derrotismo social – não mais do que pode ser um livro de Microbiologia. As páginas seguintes são, na verdade, o resultado de um esforço construtivo para investigar, conhecer e, por via disso, possivelmente neutralizar uma das forças mais poderosas e obscuras que impedem o aumento do bem-estar e da felicidade humana.


Capítulo primeiro

A Primeira Lei Fundamental

A Primeira Lei Fundamental da estupidez humana assevera sem qualquer ambiguidade que,

Sempre e inevitavelmente, cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos em circulação.

À primeira vista, a afirmação pode parecer trivial, óbvia ou pouco generosa, ou estas três coisas juntas. Contudo, um exame mais atento revela em pleno a sua real veracidade. Veja-se o seguinte: por mais alto que seja o cálculo quantitativo que se faça da estupidez humana, ficamos repetida e recorrentemente estupefactos pelo facto de:

a) pessoas que anteriormente julgávamos racionais e inteligentes se revelarem, de repente, inequívoca e irremediavelmente estúpidas;

b) dia após dia, e com uma incessante monotonia, somos estorvados e atrapalhados na nossa actividade por indivíduos obstinadamente estúpidos, que irrompem súbita e inesperadamente nos locais e momentos menos oportunos. » pp. 57 - 60

20.10.08

Feira do Livro de Frankfurt


A Texto & Grafia esteve presente no maior acontecimento editorial do ano!
(Carregue na imagem para a aumentar.)

Mais imagens neste post dos Booktailors.

16.9.08

Novos títulos

O segundo semestre editorial da Texto & Grafia inicia-se com três títulos que estarão brevemente disponíveis nos melhores pontos de venda; e são eles:






Doença Mental e Psicologia, de Michel Foucault









Allegro Ma Non Troppo, de Carlo Cipolla









Dicionário Enciclopédico da Psicologia, AAVV

16.7.08

Compreender o Cinema e as Imagens



Colecção: Mi.mé.sis
Formato: 15,5 x 23,5 cm
N.º de páginas: 288
ISBN: 978-989-95689-8-3
PVP: 26,00€ (IVA inc.)






Compreender o Cinema e as Imagens é um dos primeiros livros a examinar em conjunto as várias modalidades de imagens, mais complementares do que concorrentes entre si. Todos nós vamos ao cinema, vemos televisão, navegamos na Internet. Este livro é um balanço do saber actual sobre a análise das imagens, propondo orientações metodológicas que ajudarão o leitor a estabelecer as pontes entre os diversos domínios em que se afirma o reinado do visual.
Dividida em duas partes – Analisar o Cinema e Analisar as Imagens (a televisão, as imagens interactivas e os chamados iconotextos), esta obra é indispensável à compreensão do que se poderia definir por didáctica das imagens.
Esta edição é ainda enriquecida com a inclusão de 58 ilustrações que acompanharão o leitor ao longo do texto.

Este volume, organizado por René Gardies, conta com a participação de vários autores, todos eles professores universitários e especialistas de renome. René Gardies, ele próprio autor de várias obras nesta área (Television: Notion D'oeuvre, Notion D'auteur, por exemplo), compilou e organizou os presentes textos dando-lhes a sequência e a harmonia necessárias para que o leitor siga a par e passo cada um dos tópicos abordados.

A Situação do Homem no Cosmos

Já está nas livrarias!




Colecção: Biblioteca Universal
Formato: 14 x 21 cm
N.º de páginas: 112
ISBN: 978-989-95689-6-9
PVP: 12,00€ (IVA inc.)





A Situação do Homem no Cosmos, sem dúvida um texto-chave da filosofia do século XX, inaugura as linhas essenciais de uma nova disciplina: a antropologia filosófica, que, desde então, passou a fazer parte do currículo universitário.
Na sua concisão, é uma das reflexões mais densas sobre a constituição do homem e as suas relações com o que o rodeia.É um texto brilhante e inspirador, que transformará radicalmente o olhar do leitor.

Max Scheler (1874 – 1928), filósofo alemão, notabilizou-se pelo seu trabalho nas áreas da antropologia filosófica, da ética e da fenomenologia. Cruzou-se com figuras como Wilhelm Dilthey, Georg Simmel, Rudolph Eucken, Edmund Husserl, Martin Heidegger, Edith Stein, Alexandre Koyré, e muitos outros.
Além da docência em Munique e em Colónia, e da sua intensa actividade de conferencista – muito solicitada –, revelou-se um crítico cultural de grande nível e profundeza e, no campo político, foi um dos primeiros a denunciar os perigos do nazismo e do marxismo.

17.6.08

Para o Verão...

No início de Julho podem encontrar nas livrarias os nossos próximos títulos!

O primeiro, A Situação do Homem no Cosmos, na Colecção Biblioteca Universal, é um texto clássico da filosofia. O outro, Compreender o Cinema e as Imagens, pertence à colecção Mimésis e é um manual precioso para entender a sociedade da imagem.

Para abrir o apetite, aqui ficam as capas:



e

4.6.08

Próximos lançamentos

Muito brevemente, na Colecção Biblioteca Universal, teremos «A Situação do Homem no Cosmos», de Max Scheler.

Ao mesmo tempo, a Colecção Mi.mé.sis passará a contar com a obra colectiva, organizada por René Gardies, «Compreender o Cinema e as Imagens».

29.5.08

Feiras

Prezados leitores e visitantes, podem encontrar-nos na Feira do Livro de Lisboa e na Feira do Livro do Porto. Estaremos representados pela Centralivros.

15.5.08

Em breve

Estimados leitores e visitantes, anunciamos que em breve teremos o nosso web site a funcionar.
Mas é claro que não prescindiremos deste espaço, que será sempre uma porta aberta.

13.5.08

Já saiu

O mais recente título da Colecção Biblioteca Universal já se encontra nas livrarias!

29.4.08

HISTÓRIA DE ROMA




Colecção: Biblioteca Universal
Formato: 14 x 21 cm
N.º de páginas: 112
ISBN: 978-989-95689-5-2
PVP: 12,00€ (IVA inc.)

Pierre Grimal, um dos grandes especialistas de história e civilização de Roma, dá- -nos com este livro, passo a passo, o filme dos momentos decisivos que estiveram na origem, na expansão e na queda do maior império de sempre, que durante cerca de mil anos exibiu poder e esplendor por todo o mundo conhecido.
Em estilo coloquial, colorido e poético, esta História de Roma destina-se a leitores de todas as idades, sendo por isso um excelente estímulo ao gosto pela História.

Pierre Grimal (1912-1996) deixou atrás de si, além da glória de ter sido um dos maiores especialistas e divulgadores da história, cultura e civilização romanas, uma obra vastíssima, constituída por dezenas de volumes em que aborda com erudição e simplicidade praticamente todos os aspectos da fascinante aventura histórica que levou à criação do Império Romano e à sua destruição.
Licenciou-se em Letras em 1935, foi membro da Escola Francesa de Roma, professor de Latim e depois de Civilização Romana nas Universidades de Caen, Bordeaux e finalmente na Sorbonne, durante trinta anos.
Publicou inúmeros estudos sobre Roma (muitos dos quais se encontram traduzidos em português), além de traduções de muitos autores clássicos, latinos e gregos.

11.4.08

Muito em breve

O próximo lançamento será:


História de Roma, de Pierre Grimal

1.4.08

Os primeiros quatro títulos IV

COGITO ERGO SUM
Dicionário Comentado de Expressões Latinas

por Orlando de Rudder


Colecção: Índice
Formato: 15,5 x 23,5 cm
N.º de páginas: 254
ISBN: 978-989-95689-0-7
PVP: 24,00€ (IVA inc.)


Esta obra condensa cerca de 200 citações, locuções ou expressões de origem latina que chegaram até nós vindas da Antiguidade ou de tempos menos remotos: sábias e doutas fórmulas, ou divertidas variações delas.
A cada uma é consagrado um artigo em que o historial da expressão é contado em pormenor; a origem, a fonte e o contexto do seu emprego abrem para um comentário erudito e bem-humorado que mistura referências literárias, saborosas historietas, reflexões picantes.

Orlando de Rudder é autor de dezena e meia de livros em que brilham a erudição, o humor sadio, a elegância da escrita. A sua vida é, por si só, uma autêntica obra de ficção; nascido em 1950, numa viagem de comboio que os pais faziam com destino a Roma, foi Pio XII quem lhe deu o nome de baptismo.
A mãe, cantora, abandona-o, e ele segue o pai, crítico gastronómico de grande reputação e um dos fundadores do famoso Gault et Millau; após peripécias várias, Orlando de Rudder acaba por se encontrar só em Paris, com a idade de catorze anos.
Cedo começa a frequentar os meios literários parisienses, travando amizade com alguns dos maiores escritores e literatos franceses. Doutorado em Letras, professor de linguística medieval e de guitarra, pugilista, tem nas letras francesas um lugar verdadeiramente à parte, de estima e apreço unânimes da crítica e do público.

Os primeiros quatro títulos III


O CINEMA E A ENCENAÇÃO
por Jacques Aumont


Colecção: Mi.mé.sis
Formato: 15,5x 23,5 cm
N.º de páginas: 196
ISBN: 978-989-95689-3-8
PVP: 19,00€ (IVA inc.)


A noção de encenação vem do teatro, e perdura numa espécie de submissão da arte do filme ao verbal, à narrativa, ao texto.
Em sentido oposto, os cineastas têm procurado os meios de se distanciarem destas origens, defendendo uma abordagem propriamente cinematográfica das realidades cénicas da narração por imagens.
Estamos perante um livro de referência, de história e estética do cinema, uma “grelha de leitura” da criação cinematográfica.

Jacques Aumont, típico homem de cinema, conviveu intimamente com todas as formas de expressão desta arte: técnica, artística, literária.
Crítico nos Cahiers du Cinéma, professor, conferencista, trabalha nas várias ramificações da cinefilia, atraído pelas questões, sempre controversas, dos problemas do gosto.